Giacomo Liberatore - 7

1 - Nascido na Itália, educado no Brasil ...

2 - A difícil vida na Itália durante a II Guerra

3 - Grandes mudanças aos 11 anos

4 - A construção da carreira

5 - Viagem pelo interior do Brasil, cinco ataques de malária

6 - Uma nova família

7 - Uma história de vida ligada à imigração

Giacomo Liberatore veio parar no Brasil por conta das correntes migratórias. Sua família estava na última grande leva de italianos que aqui aportaram. Milhares, na época, atraídos pela esperança de oportunidades na América, abandonavam a Europa empobrecida. Esse fato teria importância não apenas na história pessoal da vida daquele menino, mas na constituição da própria identidade nacional dos que deixavam para trás sua terra natal.
A noção de ser “italiano” ainda não estava consolidada. A unificação da Itália era recente, prevaleciam os dialetos e diferentes costumes de cada comunidade. Os primeiros que emigraram identificavam-se mais com o lugar em que nasceram, sentiam-se pertencer ao seu vilarejo, aos seus santos de devoção. Quando aqui chegaram, vendo-se diferentes dos brasileiros e dos outros imigrantes é que começaram a identificar a si próprios como “italianos”, embora oriundos de regiões diferentes da Itália.
O Brasil, por sua vez, de certo modo também “em formação”, viu sua cultura enriquecida por aqueles que aqui construíram suas vidas, constituíram famílias, trabalharam e contribuíram para o desenvolvimento do país. A par das grandes mudanças ocorridas no cenário mundial, ainda hoje o país continua sendo esperança de vida melhor para muitos. Florianópolis, a exemplo de tantas outras cidades brasileiras, recebe grande contingente de imigrantes vindos principalmente de países da América Latina.
O tema imigração continua fazendo parte da vida de Giácomo que, entre outras atividades, é um dos voluntários na Pastoral do Migrante. O trabalho, ligado à Arquidiocese de Florianópolis, é realizado na Catedral e inclui ajuda para a regularização da situação civil de quem chega a Florianópolis na condição de imigrante e que enfrenta dificuldades.
Além de auxílio na obtenção de documentos na Polícia Federal, essas pessoas recebem orientação e assistência para conseguir moradia, remédios e alimentos. No último domingo de cada mês, é celebrada a Missa do Migrante, às 18h, na Catedral. Ao final, há confraternização entre os participantes, com lanche e música, com a presença do vigário e coordenador da Pastoral, Padre Dirceu Bortolotti. O sacerdote pertence à congregação dos Missionários de São Carlos (scalabrinianos), que presta apoio aos migrantes e está presente em vários países.
Giacomo se entusiasma quando fala do assunto e conta quantas vezes esteve envolvido em episódios – às vezes pitorescos - na tentativa de ajudar essas pessoas que sofrem na condição de estrangeiros. Faltam a eles não apenas recursos financeiros, mas documentos que lhes assegurem, além da própria identidade, condições legais de aqui permanecerem e tentarem construir uma vida melhor para si e para suas famílias.

8 - “Coisas que não se pode esquecer”

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