Giacomo Liberatore - 5

1 - Nascido na Itália, educado no Brasil ...

2 - A difícil vida na Itália durante a II Guerra

3 - Grandes mudanças aos 11 anos

4 - A construção da carreira

5 - Viagem pelo interior do Brasil, cinco ataques de malária

Foi durante a primeira viagem da equipe para a Amazônia que Giacomo pegou malária pela primeira vez. Durante os preparativos, ele estava comprando alimentos para a equipe: arroz, feijão, Nescau – a ser diluído com água – mais 5 quilos de farinha de mandioca, quando foi logo aconselhado a comprar dois sacos de 60 quilos cada. “Foi essa farinha que nos matou a fome. Porque não sabíamos quantos dias estaríamos viajando, quantos dias ficaríamos em cima da serra. Botava farinha, água, sentava no chão. É assim que comem os caboclos”.


O trabalho da equipe era de prospecção. “Para conhecer as rochas que tem na região, é preciso procurar onde elas afloram”, explica Giacomo. Nada melhor para isso do que viajar por dentro do rio. “Como viajávamos no verão, a água estava baixa, depois entrávamos em afluentes grandes”.
– Duas canoas de madeira. Dois geólogos, dois motoristas, um cozinheiro, e dois índios. Não podíamos perder tempo, se fazia comida dentro da canoa mesmo. Pegava uma lata, botava no fogareiro, numa panela. Fazíamos peixe, tucunaré. De vez em quando matávamos uns porquinhos do mato, alguma paca. Levei caixas e caixas de sopa Maggi.
“No primeiro dia de viagem, disseram: vocês têm que começar no paralelo seis e ir até o paralelo 9. Mas, cadê o mapa? Não tinha mapa. Fomos no IBGE, pegamos um mapa pequeno, em que aparecia o nome do rio e tinha os paralelos, mas olhando por aquela escala o rio era reto. Que reto? Começava a dar voltas. Quando retornamos, depois de três meses, olhamos a
fotografia aérea da região (que estavam sendo feitas na época), não havíamos cumprido nem a metade do trabalho”.
A equipe não chegou a se encontrar com índios que, segundo Giacomo, “estavam muito mais longe”.
– Viajávamos dois meses, três meses, e não víamos viva alma. Tínhamos dois índios que ficam na proa da canoa, eles têm um olhar bom, tínhamos que desviar no rio porque tinha muita pedra. Eles gritavam para desligar o motor e tirar da água quando passava em pedras. Um deles, era fantástico. Quando precisava “segurar” o barco, ele se jogava com a corda e ficava lá embaixo como se fosse uma âncora.
Chegou o momento em que a equipe precisou retornar porque não tinha mais comida. “Não havia condições, viagens assim são difíceis. Se alguém ficasse doente, não chegaríamos a Manaus. Eram dias e dias de canoa e se alguém do grupo ficasse doente, seria um problema. Era um período em que éramos muito jovens, não dávamos bola pras coisas”.

6 - Uma nova família

7 - Uma história de vida ligada à imigração

8 - “Coisas que não se pode esquecer”

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