Giacomo Liberatore - 4

1 - Nascido na Itália, educado no Brasil ...

2 - A difícil vida na Itália durante a II Guerra

3 - Grandes mudanças aos 11 anos

4 - A construção da carreira

No início, a família foi morar na Vila Ipiranga, “o bairro mais longe que existia”, segundo Giacomo. “Só tinha terra pra vender. A única coisa que meu pai fez antes de a gente chegar foi comprar um terreninho, 10m x 20m, não tinha nada ao redor da casa de madeira, não tinha luz, água era de um poço. Minha mãe não admitia morar numa casa de madeira”.
– Chegamos aqui no dia 5 de maio de 1953, em dezembro já estávamos numa casa. Em 1966, me formei em Biologia na Universidade Federal. Fui transferido dois anos depois para Belém do Pará.
Giacomo conta que a equipe chegou a Belém na véspera do Círio de Nazaré, grande manifestação religiosa católica à qual acorrem milhares de fiéis. No final daquele mesmo ano, chegou uma ordem ministerial para que fossem enviados dois geólogos ao Acre onde, supostamente, havia sido descoberta “uma montanha de ametista” na Serra do Moa, na fronteira com o Peru.


Cumprir esta tarefa não seria empreitada fácil. Dali a alguns dias, por mensagem de rádio, o ministério cobrava os nomes dos integrantes da equipe que estava no Acre e um “relatório” das primeiras providências, mas ninguém havia partido ainda. Por questões orçamentárias, que necessitavam de aprovação prévia no ano anterior, “o dinheiro não chegava”. Precisavam comprar passagens e diversos itens para levar, mas “de janeiro a maio ninguém trabalhava porque não tinha dinheiro”.
Para se deslocar a Cruzeiro do Sul, no Acre, foi preciso pegar vôo a partir de Manaus. Os aviões, na época DC-3, estavam todos lotados e a equipe ficou cerca de uma semana dormindo em baixo de um porão até chegar a vez de embarcar. Mas, ao se apresentarem ao governador, em Rio Branco, só havia vaga para dali a três meses.
As passagens foram compradas mesmo assim e a equipe (dois geólogos mais um garimpeiro contratado) foi colocada nos primeiros lugares em lista de espera. Quando chegou a data, foram avisados meia hora antes da partida. Chegaram ao aeroporto às 6h da manhã, mas se chovesse não haveria parada na cidade onde precisavam descer. Chovia. Foram tirados oito passageiros e a equipe embarcou.
Só havia lugares em pé. Foram tiradas também três cadeiras para abrir um espaço, onde eram colocadas revistas, cigarros e balas para vender aos passageiros durante o trajeto. A equipe foi de Rio Branco até Cruzeiro do Sul, cidade mais ao norte do Acre, já fronteira com a Colômbia, em pé no avião. Num vôo de seis horas.
Depois, tiveram que subir uma serra durante um dia inteiro até chegar ao lugar onde estaria a famosa “montanha de ametista”. Giacomo explica que haviam informado “tinha uma montanha de ametista”, quando era para ser “tinha ametista na montanha”.
No início como prestador de serviço, Giacomo trabalhou no Departamento Nacional da Produção Mineral, órgão público federal. Em 1969, foi incorporado em nova empresa que havia sido criada e, em 1970, foi para o escritório em Manaus, na Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, onde chefiou um grande projeto de pesquisa na fronteira com a Colômbia, assumiu a chefia geral da empresa e trabalhou até se aposentar.

5 - Viagem pelo interior do Brasil, cinco ataques de malária

6 - Uma nova família

7 - Uma história de vida ligada à imigração

8 - “Coisas que não se pode esquecer”

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