Giacomo Liberatore - 2

1 - Nascido na Itália, educado no Brasil ...

2 - A difícil vida na Itália durante a II Guerra

Giacomo nasceu em Castel de Sangro (Abruzzo), na mesma cidade em que nasceu seu pai, enquanto a mãe e a única irmã são de Ateleta. Num português perfeito, sem qualquer traço de sotaque estrangeiro, ele vai contando sobre as dificuldades que atingiram sua família levando-a a abandonar a Itália:
– Muitas vezes perguntam por que vieram para o Brasil, por que o Brasil? A grande imigração, na época, era para os Estados Unidos e Canadá. No Brasil, começou depois da II Guerra Mundial, quando a Itália sofreu muito. Nossa cidade ficava em uma parte central do Abruzzo e nos refugiamos no sul, na Puglia, durante 20 meses. Era por volta de 1943.


Em 1945, já estava terminando a guerra quando voltamos para a nossa terra. Encontramos tudo destruído, ficamos com a roupa do corpo. Era uma região de camponeses, todo mundo tinha um pedacinho de terra e começaram a plantar. Mas, isso também causou muitas mortes porque os alemães haviam deixado muitas minas... e usar uma enxada em cima de uma mina... com isso morreu muita gente.
O forte naquela região era a agricultura. Mas, meu pai era sapateiro, único na cidadezinha. Ele trabalhava à luz de velas, não tinha luz elétrica naquela época. Trabalhava na rua, pois todo mundo precisava de sapatos e ele fabricava, tinha forma, era um craque nisso.
Todo mundo ficou muito marcado com a guerra e começaram a emigrar, como também aconteceu em épocas anteriores. Meu pai pensou primeiro em ir para a República Dominicana, mas não sei por que não deu certo. Depois, criaram uma cooperativa com várias profissões para irem para a Venezuela. Também não deu certo, foram logrados e meu pai também.
O pai veio sozinho para cá e disse o seguinte: “se virem, porque não sei se vou poder mandar dinheiro do Brasil”. Além de ser sapateiro, ele sempre gostou de bicicletas, numa época chegou a ter 25. As pessoas alugavam bicicletas, até era um bom ganho. Meu pai nos deixou as bicicletas e com isso ficamos nos sustentando. Lembro que eu e minha mãe consertávamos os pneus.
Quando chegou no Brasil, meu pai pensava que as pessoas também iriam querer sapatos. Que nada! Aqui era só conserto. Um par de sapatos durava cinco ou seis anos. Meu pai, pra arrumar sapato era um craque, usava o melhor material. Quando eu morava aqui ele pedia, sempre que eu viajava a Criciúma, que comprasse lá o melhor couro. Ele trabalhou até os 85 anos.

3 - Grandes mudanças aos 11 anos

4 - A construção da carreira

5 - Viagem pelo interior do Brasil, cinco ataques de malária

6 - Uma nova família

7 - Uma história de vida ligada à imigração

8 - “Coisas que não se pode esquecer”

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