Cocullo: a procissão das serpentes

Por Sandro Incurvati - maio de 2008

Cada ano, a primeira quinta feira do mês de maio, tem uma festa num pequeno vilarejo de 300 habitantes, Cocullo, perto do “Parco Nazionale d'Abruzzo”, que atrai pessoas de todo o mundo.

É celebrada a festa de San Domenico, um frade do século X, considerado curador de mordidas das serpentes venenonas. Sendo a região do Abruzzo San Domenico no dia da festaSan Domenico no dia da festapopulada por muitas serpentes (cujo a temível “vipera aspis”, as vezes mortal), os devotos veneram o Santo colocando em cima da estátua dele muitas serpentes inócuas mas de tamanho bem grande, carregando-a em procissão pelo vilarejo. Segundo o Professor Alfonso Maria di Nola, histórico das religiões, San Domenico é considerado um personagem que, além de salvar os homens de mordidas das serpentes, determina uma salvação de caráter universal contra os males do mundo.
Ao meio dia em ponto começa a procissão: a estátua do Santo, com as serpentes agarradas, sai da igreja levada por quatro pessoas; ao lado da estátua quatro moças com roupas tradicionais regionais trazem cestas com pães sacros, que serão doados a quem caregar o Santo. É o momento mais emocionante da festa; milhares de pessoas se aproximam à estátua para vê-la por perto, e para ver as serpentes que, bem tranquilas, se movem devagar sobre a cabeça do Santo.

Mas as atrações nao terminam aqui. Na praça do vilarejo estão os “Serpari”, rapazes que pegaram as serpentes nos campos, que com orgulho se deixam fotografar pelos turistas com as serpentes agarradas nos braços e nas costas. As crianças do vilarejo tocam as serpentes, brincam com elas, sem medo; é surpreendente como a serpente, que sempre provocou repulsão pelos homens, que sempre foi considerada o símbolo da malvadeza até impersonar o demônio, neste dia se deixa acariciar com tranquilidade, mostrando uma índole pacífica. Em Cocullo as pessoas têm muito respeito com as serpentes que, depois da festa, são deixadas livres nos lugares onde foram encontradas. É impressionante como a serpente é presente na simbologia dos vilarejos do vale: no brasão do mesmo Cocullo tem duas serpentes agarrada numa coluna; no brasão de Anversa, vilarejo bem próximo, tem duas serpentes dentro de um compasso.

Os tipos de serpente capturadas para esta festa são: o “cervone”, que alcança dois metros de comprimento; o “saettone”, que no passado se acreditava que tomava leite direitamente das mamas das vacas; a “biscia dal collare”, muito comum, que vive nos riachos; e o “biacco”, de cor preta, a mais agressiva.

Cocullo e fácil para chegar de carro partindo de Roma (mais ou menos uma hora e meia), mas no dia da festa este pequeno vilarejo escondido no meio das montanhas do Abruzzo, vive um momento de celebridade hospedando milhares de turistas e devotos de todo o mundo; por isso, se quiser participar desta emocionante festa, precisa chegar bem cedo para arrumar um estacionamento. Próximas de Cocullo estão Sulmona (22 km), cidade de arte, e Scanno (22 km), cidade turistica famosa pelo omônimo lago, e porta do “Parco Nazionale d'Abruzzo”. Ótima e barata a cozinha nos vários restaurantes que se encontram na região; sugerimos experimentar a cozinha do chef Gino no restaurante “La Fiaccola” (tel. 0864.49474), no antigo e sugestivo vilarejo de Anversa degli Abruzzi, a 6 km de Cocullo; se aconselha reservar, sobretudo nos feriados.

A catura de uma serpente

A festa

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