Plínio Verani


volte à página anterior

IracemaIracema

Por Iracema Pamplona Genecco - março de 2011

Artista cuja galeria são ruas, praças e espaços públicos

Desenhista, escultor, gravador, cenógrafo, professor, ator. Estas são algumas definições que podem ser usadas para apresentar o artista plástico catarinense Plínio Verani Júnior a quem ainda não o conhece. Outra forma interessante é ir descobrindo e enumerando dezenas de suas obras, espalhadas por várias cidades catarinenses e pelo país afora.

São desde trabalhos encomendados pela Casa Civil, em Brasília, ou pelo governo do Amazonas. São tantos que, às vezes, Plínio nem sabe o destino final das obras solicitadas. “Dia destes, olhando na internet, estava lá o César Maia inaugurando um busto de Dom João VI no Rio de Janeiro. Eu disse: ‘mas esse busto é meu!’. E era”.

Perfil de um artista em permanente construção

Em aproximadamente duas horas de conversa, Plínio – ao responder poucas perguntas – deixa transparecer o suficiente para que se trace um perfil do artista que é e que busca ser. Em permanente inquietude criativa, mostra-se preocupado com seu contínuo desenvolvimento. Interessam-no mais o devir expressivo do seu interior do que que catalogar ou expor sua extensa obra. Demonstra pouca ou nenhuma preocupação com ... mais

Formado pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná, Pós-graduado em Arte-Educação e, por mais de uma década, professor na Ceart-Udesc, Plínio reúne o domínio da técnica e a preferência popular, atestada pelas freqüentes encomendas de trabalhos que recebe para colocação em espaços públicos.

Como exemplo, é de Plínio Verani o Memorial da Colonização Açoriana, monumento que pode ser visto na praça central de São José. Em Florianópolis, é de Plínio Verani o monumento em homenagem à Polícia Militar que se encontra na Avenida Beira-Mar Norte, representando um policial militar, um bombeiro, uma policial feminina e um cavalariano. Ainda na capital, no pátio do 63º. Batalhão de Infantaria, foi instalado um busto do Coronel Fernando Machado, herói da Guerra do Paraguai. Em Laguna, na praça dos ex-combatentes, está o busto do soldado expedicionário veterano morto em combate, na Itália, o lagunense Clito Antônio de Araújo, também obra de Plínio Verani.

busto de C. Antonio de Araújobusto de C. Antonio de AraújoA primeira forma de expressão do artista foi o desenho que, de certa maneira, continua fazendo parte do seu trabalho cotidiano. Mas, Plínio Verani é hoje um nome referencial por suas obras de escultura. Ele confirma que gosta de obras de grande porte “pela questão energética, a coisa física, massiva”. Comenta, inclusive, ser esta uma das características do seu signo taurino.

Prefeituras, associações e órgãos públicos recorrem ao artista para encomendar monumentos, bustos-retratos, esculturas, painéis de grandes proporções. A partir das indicações dadas, começa a elaboração de pesquisas e estudos, é feita a conciliação de propostas, materiais e prazos. Para Verani, essas oportunidades fazem parte do seu ganha-pão, mas constituem, sobretudo, “aprendizado, treinamento, exercício”.

A par das esculturas, talvez o aspecto mais visível do seu trabalho, Plínio Verani enumera as múltiplas atividades desenvolvidas ao longo de sua carreira. “Já fiz desenho animado para agências de propaganda. De passar noites inteiras no estúdio, gravando, quadro a quadro, porque ninguém tinha estúdio em casa. Fazia os desenhos todos, depois íamos gravar. Noites inteiras, gravando”. Já fez também Gibi, capa e ilustração de livros, troféus, cenários de teatro, decorações de shoppings, até de cidades inteiras (decoração natalina), além de restauração de esculturas de grandes proporções.

Matérias e espaços

Quanto aos materiais utilizados, segundo Plínio, a linha de modelagem na argila é bastante utilizada, além da pedra, granito ou concreto. Depois, ou vai pra bronze ou vai para polímeros, nesse universo das resinas, das borrachas”. Tem também a pedra reconstituída “que eu chamo de mármore sintético, ou pedra sintética”. Como exemplo, cita uma escultura do Guga feita há alguns anos, encomendada pela RBS, mas até hoje não exposta ao público. “O material é resina com areia, claro com uma ferragem interna”.

Plínio explica que ter voltado a residir em São José foi uma espécie de obra do acaso quando, após terminar o curso em Curitiba, retornou a passeio. “Aí tem aquela coisa das mamas italianas, sabe como é, elas são mestras na chantagem, aquele jogo emocional”. Anos depois, segundo ele, o pai o alertou: “a tua mãe tramou para te segurar aqui”. Ele não havia percebido esse jogo na época e... foi ficando.

Hoje, revela ter descoberto que havia um certo sentido, “algo a ser feito”. Procurou, então, ir nessa direção, participando, geralmente como membro-fundador, da criação de uma escola de arte, de uma galeria, da Associação pró-cultura e da Associação dos Artistas Plásticos, entre outras iniciativas. Participou também da criação do Conselho de Cultura de Palhoça.
Para trabalhos maiores, Plínio utiliza um espaço em Maciambu, onde funciona uma espécie de atelier. Mas explica que está em processo de transferência para São Pedro de Alcântara, município onde será executado um projeto maior (Instituto São Pedro de Alcântara), envolvendo um grupo de artistas plásticos. O terreno para a instalação da sede foi doado pela Câmara de vereadores, mas precisa ser ocupado logo, sob risco de inviabilizar todo o projeto.

Verani sempre demonstrou preocupações sociais e vem empenhando esforços na recriação dos núcleos de artes e ofícios que poderiam ajudar muitos jovens, a exemplo dos existentes antigamente, que ensinavam técnicas de fotografia, serigrafia, cerâmica e tecelagem manual, entre outras. “Não quer dizer que todo mundo vai virar artista, mas vai se apropriar de um domínio técnico, de uma artesania, para que ele possa viver a partir daí”.

Inquietude

- Eu sempre fico oscilando entre a escultura e a pintura – diz Verani. “O desenho, claro, é a linguagem básica, fundamental”. Ele explica que “o desenho trabalha a percepção, instrumentaliza a leitura do universo, das coisas todas, do mundo sensível”. Ao mesmo tempo, tem “o aspecto, táctil, corpóreo da escultura, da coisa real em si, porque são coisas diferentes, na verdade”.

Ao analisar sua trajetória, o artista diz que tudo, no entanto, está “muito aquém do que já era pra ter feito”. Não só em termos de expressão artística, mas também de conquistas, como um atelier mais adequado. “Claro, espaços de trabalho é uma coisa... mas, o atelier, com aquele ambiente, aquele misto de tudo, de laboratório, de alcova... de tudo isso... esse, ainda não...”.

Questionado sobre o que estaria faltando para atingir esse ideal, Plínio lamenta a falta de continuidade, ou comprometimento com a arte pura. “Falta abrir mão de um monte de coisa”. Novamente cita Pléticos, para quem a arte seria antes de tudo “sacerdócio”.

“Não tem outro jeito. É absorção, ou imersão total, absoluta”, afirma Verani, para quem o que conta “é até o aspecto gnóstico, que é o ‘se’ saber, saber de si; e aí, pra saber de si, ou se reconhecer, se descobrir, só levando ao limite o ‘fazer artístico’. Quer dizer, o trabalhar... o trabalhar.... trabalhar. No entanto, há as questões de sobrevivência, do dia a dia, que são intensas “puxam a pessoa pra um lado... pra outro... e que dificultam até o silêncio”.

- Ah, cultivar o silêncio interior. É óbvio, isso é fundamental, porque a fonte da criação ta lá, no centro daquela roda do silêncio. É lá, é desse centro, desse absoluto silêncio interior que emana a criação toda... ou toda a criatividade. Mas (suspiro profundo!) isso também é difícil. Há TVs, celulares, quebras, fragmentações. Então, é difícil.

Outros projetos

Assim que Guga Kuerten ganhou a taçaescultura de Gugaescultura de Guga Rolland Garros, a RBS encomendou a Plínio a confecção de uma escultura do tenista que, no entanto, recusou a homenagem, por considerá-la “prematura”. A obra permanece até hoje inédita, guardada em um galpão da empresa. Plínio Verani lançou então a idéia de, em vez de focar em um atleta, criar-se “uma espécie de galeria ao esportista catarinense... Retoma aquela coisa dos gregos... dos heróis olímpicos. Mas, cria-se um parque esportivo, de passeio, de lazer... E cada expoente máximo, de cada modalidade, terá uma escultura”.

Numa atitude mais abrangente, sua proposta, no entanto, não visa projeção pessoal. “Claro que gostaria de fazer, mas... seria com escultores diferentes, até pela questão da linguagem”. Patrocínio, não seria problema, segundo Plínio, visto que cada atleta tem seu patrocinador.

Plínio enumera uma série de outros projetos, todos aguardando formatação, como um site para mostrar suas obras ou o Memorial do Manezinho. Este seria no antigo Miramar, onde seria instalado um “bar escultório”, com mesas, cadeiras, bronzes, figuras como Zininho ao violão. “Aí, já é um pé para montar a fundição artística”, comenta eufórico, visto que não há uma fundição nem profissionais especializados no Estado.

Outro de seus projetos é a Ilha Parque-Cascais, na ótica de um parque temático, espalhando réplicas ampliadas da “obra escultória” de Cascaes pela Ilha de Santa Catarina inteira. Seria uma espécie de devolução e releitura dos estudos do professor Franklin Cascaes que, ao término de suas pesquisas em uma comunidade, sempre fazia uma exposição. Além de ser um mote para a criação de um núcleo de ensino. Segundo Plínio, sempre que retomada, essa idéia é considerada interessante, mas falta dar a ela um formato que possibilite viabilizar a iniciativa..

Obras mais conhecidas

As comemorações pelos 250 anos de São José incluíram a inauguração do Memorial da Colonização Açoriana, idealizado pelo artista plástico Plínio Verani Júnior, conhecido no município pelo seu envolvimento com a preservação cultural. Construído na Praça Arnoldo Souza, no centro da cidade o monumento tem nove figuras na proa de um barco que representam as nove ilhas ... mais

Back to top