Raffaella: a poetisa das montanhas

Por Sandro Incurvati - maio de 2009

A fonte de inspiração da poetisa e escritora Raffaella del Greco (1926-) nasce do amor pela sua terra (Abruzzo), pela qual sente nostalgia – da melancolia, da fé em Deus e da trágica morte do pai, pastor fuzilado pelos alemães em 1943, no período da luta partigiana, por ele ter ajudado alguns prisioneiros ingleses fugidos dos cárceres alemães. Raffaella Del GrecoRaffaella Del Greco

O livro Quei lunghi trenta giorni (Aqueles longos trinta dias, sem tradução no Brasil), um dos melhores de Raffaella, conta a captura, o processo, a condenação e o fuzilamento de Michele del Greco, acompanhado pelo drama de uma família repentinamente privada do pai. O livro, traduzido para o inglês, foi oficialmente elogiado também pelo Príncipe Charles da Inglaterra em uma recepção junto à Embaixada Britânica em Roma, em 2002.

Da intensa produção literária de Raffaella del Greco, mencionam-se as seguintes obras: U pecurale (O Pastor) – coletânea de poesias em dialeto abruzês sobre a jornada típica de um pastor, selecionada para inclusão na Antologia dei Poeti Europei dal “Nuovo Giornale dei Poeti” (Antologia dos Poetas Europeus do “Novo Jornal dos Poetas”), lançada no Salone del Libro di Torino (Salão do Livro de Turim).
Michele Del Greco, com chapéu pretoMichele Del Greco, com chapéu preto
Vuce de Mammarosse e de Uagliune (Vozes de Vovós e de Crianças) – coletânea de cantigas de roda, nana-neném, jogos, provérbios e modos de dizer em dialeto abruzês.

Raffaella escreveu ainda letras para canções populares abruzeses, as quais foram musicadas por famosos maestros de orquestras.

As recordações da vida pastoril, das montanhas do Abruzzo e dos acontecimentos que envolveram o pai encontram-se freqüentemente em muitas das poesias de Raffaella del Greco, entre as quais escolhemos A mio Padre (A meu Pai), na qual se misturam ternura e dolorosa nostalgia.

A MIO PADRE

Ancora voli di rondini
e assolati canti di cicale;
ancora brumose giornate
odorose di mosto
e candore
di silenziose nevicate.
Ancora una vita da vivere
sogni da cullare
progetti da realizzare.
Ti proiettavi nel futuro
attraverso noi figli…
ma un colpo di fuoco
ha spezzato
in un attimo solo
sogni speranze progetti
…e il buio è calato su noi.

A MEU PAI

Mais uma vez vôos de andorinhas,
e os cantos cheios de sol das cigarras;
mais uma vez brumosos dias
cheirosos de mosto
e candura
de silenciosas nevadas.
Mais uma vez uma vida para viver
sonhos para embalar
projetos para realizar.
Te projetavas no futuro
através de nós filhos...
mas uma bala de fogo
quebrou
num átimo só
sonhos esperanças projetos
... e a escuridão baixou sobre nós.


Em 21 de dezembro de 2008, no 65° Aniversário da Morte de Michele Del Greco, a Associação “Insieme per il Centro Abruzzo” (Juntos pelo Centro Abruzzo) de Sulmona, para honrar a memória de Del Greco, colocou uma lápide no quintal do cárcere (antiga Abadia Celestiniana) – lugar em que ocorreu o fuzilamento –, na presença de Sua Eminência o Bispo Angelo Spina e de vasto público. Sua Santidade Benedetto XVI havia já expedido a Sua Benedição Apostólica.

Michele Del GrecoMichele Del Greco
Raffaella e o Príncipe Charles da Inglaterra (2002)Raffaella e o Príncipe Charles da Inglaterra (2002)

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