A Arte Digital de Elaine Erig


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Por Rita Martins - março de 2013

Têm corpo pensante vibrando energias até mesmo transcendências e espiritualidades... Quase paradoxal tratando-se de composições em pixels com temática, em princípio subjetivas – as imagens criadas pela artista. São camadas de entranhas, sulcos e poros, é muito conivente o mistério com que se nos apresentam essas frestas de apelo ao imaginário. Mesmo complexas, as suas linhas mostram clara a intenção de miscigenar levezas, contextualizar possibilidades de cenários, cortinas, paisagens por janelas ora minimalistas, ora carregadas de detalhes burlescos, barrocos, propositadamente sofisticados.

Por vezes pássaros – e então penas e peles e patas de um desconhecido intrigantemente familiar flanam diante de olhos dentro da mesma obra a voar solta de seus limites.

Então felinos, tapetes bordados e paredes que se abrem em portas a um conforto de texturas acolchoadas em cores justapostas – posturas de gestos. Certas vísceras em carne viva saltam esferas orgânicas. Como que um mastigar com calma cada veia, cada fragmento de nervo. Seus traços têm ossos e músculos – rijos, cortantes.

De um salto vai-se a esvoaçar penugens, ao eriçar de pelos, por poças e paisagens de matos e orlas areadas. Sensorial milimétrico como se ela trançasse linhas e fios e sedas em tiras e bordados de leques e sombrinhas.
É delicioso entrar por esses labirintos de explorações com desejos de por ali se perder, pois que por tantas curvas, folhas, sobras, sombras, luzes, cascas, frutos, musgos, peles fluxos fluídos de belezas, onde perder-se será um enorme achado.

Rita Martins - Escritora e poeta, versada em línguas

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